
Entre os livros de grande circulação no Brasil, desde o século XVIII, encontra-se um de particular interesse na história das previsões metereológicas e influência dos astros sobre homens, animais e plantas. É o Lunário Perpétuo, do espanhol Jerônimo Cortez, traduzindo para o Português e editado em Lisboa, a partir de 1703.
A acolhida desse livro foi tão grande e ele se tornou um vade mecum tão popular que há edições ainda no século XX.
Pelo Lunário Perpétuo, as pessoas tinham acesso as técnicas de previsão do tempo, ao horóscopo, aos tipos de doença provocada por sol, lua, ventos em homens e animais, as técnicas de tratamento e cura. O autor cita sábio antigo, como Avicena e Plínio, repassando de forma simples, à moda de almanaque, conhecimentos e ensinamentos de grande erudição.
O Lunário Perpétuo circulou por toda parte e foi realmente útil aos lavradores, boticários, pescadores e agricultores de maneira geral. Temos notícia dele em praticamente todo nordeste brasileiro, em Ouro Preto e Mariana. É testemunha da fonte erudita de conhecimentos a que, sem cuidado, muita gente erudita chama de “popular”.
(Francelina Ibrahim Drummond)


