Não consigo entender a imensa dificuldade que os autores de novelas tem de "inserir" os negros nas suas tramas...será tão difícil nos enxergar como pessoas normais, que acertam, que erram, que podem exercer a profissão de médico, garí, que discriminam e são discriminados, que fazem compras, que viajam em cruzeiros, que passam fome...?
Engraçado que a novela que está sendo atualmente exibida na sessão da tarde na globo, Da cor do pecado, é a primeira novela que tem uma protagonista negra (se não me falha a curta memória).
Se chama Preta, é pobre e dança tambor de crioula no maranhão.
Claro, não tenho nada contra alguém que possua essas características, mas quando é que teremos papéis normais, que não tenham obrigação de abordar temas como preconceito racial, pobreza..?
Ela não poderia se chamar Helena, por exemplo, ser proprietária de uma grande empresa e passar a novela inteira sofrendo por amor, não por ser discriminada pela sua cor?
Pode ser ou tá difícil?
segunda-feira, 21 de maio de 2007
CORRIDINHO
O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo, desembarca do trem,
chega na porta cansado de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena, pede água,
bebe café, dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.
Adélia Prado
Mais poesias de Adélia
O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo, desembarca do trem,
chega na porta cansado de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena, pede água,
bebe café, dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.
Adélia Prado
Mais poesias de Adélia
Sempre ouví dizer que Dolores morreu de tristeza...e que seu fim já vinha sendo professado nas suas músicas.
Ai, a solidão vai acabar comigo...diz uma delas.
Será possível morrer de tristeza?
A noite do meu bem
Fim de caso
Estrada do sol
Ternura Antiga
Ai, a solidão vai acabar comigo...diz uma delas.
Será possível morrer de tristeza?
A noite do meu bem
Fim de caso
Estrada do sol
Ternura Antiga
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