quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Uma Alegria para Sempre

De Mário para Elena Quintana

As coisas que não conseguem ser olvidadas
continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre
onde as datas não datam.
Só no mundo do nunca existem lápides...
Que importa se - depois de tudo - tenha "ela" partido,
casado, mudado, sumido, esquecido, enganado,
ou que quer que te haja feito, em suma?
Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e, esta,
ela jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.
E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,
deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingratacriatura...
A thing of beauty is a joy for ever-disse, há cento e muitos anos,
um poeta inglês que não conseguiu morrer.

sábado, 16 de agosto de 2008

Dorival Caymmi

Hoje acordei cantarolando a música de Dorival Caymmi...É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar...estava ainda cantando quando abri a página de e-mails no computador e me deparei com a notícia da morte desse mestre adorado.
Não tenho palavras para escrever sobre Caymmi, tão profundo é o sentimento de admiração que tenho por ele e sua obra.
Um pouco de nós vai com ele e muito dele ficará para sempre em nossas vidas.

É doce morrer no mar...

domingo, 10 de agosto de 2008

O que será do nosso rio?

A igrejinha branca e azul nos arredores de Cabrobó (PE), onde o bispo d. Luiz Flávio Cappio, em 2005, fez a primeira greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco, está fechada.
Na região, não há mais manifestações contrárias à obra, e os tratores de esteira e as escavadeiras do Exército rasgam o sertão em ritmo acelerado, começando a abrir os dois canais que vão levar água do "Velho Chico" para as bacias hidrográficas do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do agreste de Pernambuco.
Depois de nove meses de trabalho, os dois batalhões de engenharia e construção que estão na área já concluíram cerca de um terço das obras a cargo do Exército. Nada menos do que 1,6 milhão de metros cúbicos de terra, rochas e outros sedimentos já foram escavados - o que equivale a 18 Maracanãs cheios.
Há quem acredite que a morte do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM), ex-governador da Bahia e ferrenho adversário da transposição, também tenha aplacado os protestos contra o projeto. Mas nota-se que permanece na região o temor do que poderá acontecer com o São Francisco. "Tem gente que acha que o rio vai secar", disse o secretário Oliveira.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

domingo, 27 de julho de 2008

Toca Simonal!!



Resenha de documentário Título:

Simonal Ninguém Sabe o Duro que Dei


Direção: Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal



Humorista do grupo Casseta & Planeta, Cláudio Manoel quis reabrir em seu primeiro filme um dos casos policiais mais controvertidos da música brasileira. Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei reconstitui a ascensão, glória e queda de um dos cantores mais populares do Brasil na virada dos anos 60 para 70. Condenado ao ostracismo depois que foi apontado como informante do Departamento de Ordem Política e Social (mais conhecido como Dops, o órgão repressor do regime militar instaurado no Brasil em 1964), Wilson Simonal (1938 - 2000) foi banido do cenário musical por conta dessa suposta associação com a ditadura. O documentário investiga Simonal sem condená-lo, mas também sem absolvê-lo. Cabe ao espectador, diante das versões dos fatos expostos no filme, dar o seu veredicto pessoal. O grande mérito do filme é documentar os fatos com precisão sem julgar Simonal.O roteiro prima por entrelaçar os depoimentos - dados por nomes como Boni, Chico Anysio, Jaguar, Nelson Motta, Ricardo Cravo Albin, Miele, Pelé, Sérgio Cabral, Tony Tornado - com farto material de arquivo. É como se as imagens referendassem os testemunhos dos que conviveram com Simonal em sua fase áurea. E, no auge, Simonal era cheio de si - como pode ser percebido no seu dueto com Sarah Vaughan em The Shadow of your Smile, na maneira como regia a platéia dos programas da TV Record e na performance incendiária que teve no show que fez no Maracanãzinho (RJ), em 1970, antes da apresentação de Sergio Mendes, o ofuscado astro principal da noite. Foi o auge da pilantragem, o subgênero inventado por Carlos Imperial para rotular a música de Simonal. "A pilantragem foi uma bobagem", resumiu Sérgio Cabral, com aguçada visão crítica do repertório (a rigor, irregular) de Simonal.Através dos depoimentos de colegas como Tony Tornado, o documentário toca de forma clara na questão racial que permeia toda a carreira de Simonal, pois sempre houve quem não engolisse o imenso sucesso popular daquele negro, filho de empregada doméstica, que tinha um suingue fenomenal, uma voz privilegiada e - cheio de si, em atitudes que beiravam a arrogância - desfilava com carrões e louras, incomodando a elite branca do país tropical da época.Em seu ano áureo, 1970, Simonal chegou a ser o cantor oficial do tricampeonato do Brasil na Copa do Mundo, no México. Mas o jogo começou a virar em agosto de 1971, quando Simonal mandou agentes do Dops dar uma surra no então contador de sua empresa, Raphael Viviani, sob a alegação de roubo. Nunca ouvido fora do inquérito policial instaurado para averiguar o caso, o depoimento de Viviani é a maior contribuição do filme para que a história seja entendida sob todos seus prismas. Com olhos marejados, Viviani nega o roubo e relata que o admitiu somente sob tortura dos agentes do Dops - tortura que, na versão de Viviani, incluiu choques elétricos. Ingênuo, Simonal alegou que recorreu ao Dops por ter contatos no órgão e por estar sofrendo ameaças de terroristas. Foi outra atitude infeliz que o complicou quando o inspetor Mário Borges o denunciou na imprensa, sem provas, como informante do Dops. Tendenciosa e sensacionalista, a imprensa da época condenou Simonal e negou seu direito de defesa. Isolado como se fosse um leproso, como lembra Nelson Motta, Simonal viu as portas se fecharem e, mesmo tendo gravado regularmente discos até meados dos anos 70, ficou sem ter como divulgá-los nas casas de shows e na própria mídia. Foi o início de longa fase crespuscular que levou o cantor ao alcoolismo e à morte por cirrose hepática, em 2000, aos 62 anos. Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei conta de forma envolvente essa bela história que alternou cenas de alegria e tristeza. Não absolve e tampouco condena Wilson Simonal, mas esclarece fatos e enfatiza a força do seu canto. Imperdível!

Ouça Simonal na Rádio Tangolomango.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Sobre Direitos Autorais

*O que direito autoral?
É o conjunto de normas estabelecidas pela legislação que visa proteger o criador da obra intelectual a pessoa física para que esta possa usufruir os benefícios morais e intelectuais resultantes da exploração de sua criação. O direito autoral é regulamentado por normas jurídicas que visam proteger as relações entre o criador e a utilização de obras artísticas, literárias ou científicas, como textos, livros, pinturas, músicas, ilustrações, fotografias etc.

DÚVIDAS FREQUENTES

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Violeta Parra


Dá uma olhada no Tangolomango Sites

domingo, 11 de maio de 2008

ORDEM DOS MÚSICOS DO BRASIL COM DIAS CONTADOS

Recebí por e-mail e achei importante compartilhar esse assunto que é do interesse dos músicos, que como eu, questionam e até tentam achar um bom motivo para se filiar a essa instituição.
Depois de tanto tempo de resistência, resolví fechar os olhos e fazer a minha inscrição na OMB essa semana.
Inscrição feita, prova marcada, recebo esse e-mail...



A Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) foi considerada inconstitucional pelo juiz federal substituto da Segunda Vara Cível de Curitiba, GuyVanderley Marcuzzo.
A sentença concluiu que a lei que criou a Ordem não foi recepcionada pela Constituição federal e por isso não se pode exigir dos músicos nenhum vínculo. A decisão é inédita na história jurídica brasileira.
Todos os músicos brasileiros foram obrigados a recolher anualmente, durante os últimos trinta anos, uma taxa à Ordem para tocar em bares, teatros e festas. O vínculo sempre foi obrigatório. Os músicos Luciano José Reichert Cordoni e FabianoReichert Cordoni entraram com mandado de segurança contra o presidenteda Ordem com o objetivo de exercerem a profissão livremente. "Estávamos tocando no Estação Plaza Show quando um fiscal da OMB tentou nos impedir. Ele nos ameaçou de prisão pela polícia porque fazíamos música e não tínhamos a carteira da Ordem", informou o tecladista Luciano. O estabelecimento foi multado e os músicos decidiram ir à justiça. "É mais barato entrar com uma ação na justiçado que ficar pagando taxa compulsória. Há mais de dez anos são as mesmas pessoas que trabalham na Ordem em Curitiba e eles não fazem nada. Para onde vai o dinheiro cobrado dos músicos?", indagou. A entidade foi criada para proteção da classe, mas esse papel é dos próprios profissionais, ou de sindicatos e associações, sem a obrigatoriedade de filiação. O juiz declara na sentença que não faz sentido impor restrições ao exercício de uma profissão de cunho artístico, da qual não é preciso exigir qualificação profissional. A profissão de médico, dentista, engenheiro, advogado, se não for regulamentada traz sérias conseqüências para a sociedade. O maior prejuízo que um músico pode trazer se não souber desempenhar sua profissão é para si mesmo, pois ficará sem público e sem trabalho."Não há qualquer potencial lesivo na carreira musical que justifique uma fiscalização estatal na sua regulamentação", diz a sentença.
Os músicos que não concordam com a obrigatoriedade de pagar a taxa da Ordem podem entrar com uma ação através da formação de uma associação representativa, ou ação coletiva com pessoa físicas onde o número máximo é de dez pessoas. Segundo o advogado que acompanhou o processo, Claudinei Belafronte, a lei que criou a entidade continua valendo, mas perdeu conteúdo e não foi recepcionada pela Carta Magna, "O parecer da OMB a respeito dos dois músicos, dizia que eles mereciam prisão de um mês. Isto é do tempo da ditadura, completamente impróprio. A OMB tenta dominar as pessoas pelo medo, apegou-se a uma Lei de trinta anos atrás e esqueceu de ler a Constituição federal" afirmou. (Jonas Bach Jr.)

Matéria do Jornal Tribuna do Paraná 01/09/2000.

sábado, 10 de maio de 2008

Que ainda virão


Afonso Henrique Novaes
aenrique@uol.com.br


Tenho ouvido Marina esses dias. Além de ouvir as coisas que sempre ouço, novidades, descobertas de sons antigos, CD’s que acabei de comprar, sempre pego algum disco que tenho dela aqui e lá vou eu ouvi-la. Para mim não é só o que a música diz ali, mas o som dela me fala mais ou me faz ouvir mais do que as letras supõem. Eu me explico.

Sou de uma geração que cresceu ouvindo Marina. Tenho 34 anos bem fechados e, apesar de não saber se bem vividos, sempre costumo dizer que sou um autêntico filho dos anos 70 que passou ao largo dos 80 e que viveu, de fato, a vida nos anos 90. De fim do sonho setentista, passando pela deprê do horror nuclear dos 80 até chegar ao “tô nem aí” do hedonismo noventista e 00, passei cada um desses períodos meio que tocando cada uma das coisas que o tempo trazia ou, simplesmente, as observando, porque isso sei que faço bem.

Mas onde entra Marina nisso tudo???
Nesse painel super colorido, viver no Brasil, ou no mundo, era, aparentemente, mais fácil. A impressão é que todo mundo era jovem e que a vida era para se curtir, sim. Eu só via Fantástico e estudava, ah sim, e colecionava, como podia, meus discos de rock inglês. Tinha uns 12 ou 13 anos e observava o movimento do pessoal mais velho que eu, ouvindo muitas coisas boas e outras nem tanto e, acima de tudo, a fim de se divertir.

Lógico que Marina estava lá, com seus hits igualmente jovens e solares. Seus temas, nessa época, eram assim também, pois falavam de amores felizes, paquera e praia num Rio de janeiro certamente mais bonito e menos triste que hoje. Ou quem não se lembra do “todas de bundinha de fora” daquele sucesso pegajoso ? Essa música estava em um dos melhores discos dela, na minha opinião, que pertencem a esta fase sol e juventude. O disco se chama Virgem e a música de mesmo nome é a que abre este disco. Essa música, outro hit da época, mostrava alguém numa situação de acerto de conta amoroso: “as coisas não precisam de você / quem disse que eu tinha que precisar?”

Certeira na segurança de si, essa letra dava o tom de uma autonomia amorosa sem igual, prezando certamente a liberdade disponível quando se tem mais que 20 anos para experimentar as coisas e menos que 40 para escolher o que se quer ou temer tudo o que é não é seguro. O fato é que as letras de amor de Marina sempre refletiram, assim imagino, as fases de sua vida. E acabaram refletindo, talvez sem ela se dar conta, as fases da vida de toda essa geração que cresceu exatamente como eu, entre a decisão de ser gente grande e livre e o temor de crescer num mundo cada vez mais difícil.

Marina parece saber bem disso. Seus discos posteriores passaram a mostrar uma mulher mais madura, mais frágil e, às vezes, mais espantada com a passagem do tempo. Cada disco que era lançado era uma fase nova sendo exposta ali. Na mesma proporção que ela, sabiamente, foi deixando para trás sua face solar e gata de cabelos cheios e olhar sedutoramente desafiador, foi se mostrando mais sofisticada com um refinamento que ia das letras, muitas assinadas pelo irmão filósofo-poeta, até a concepção de capa e encarte.

Me explico de novo.

Marina surgiu no fim dos anos 70 e estourou nos 80 como um modelo da mulher jovem, bonita, sensual, com olho pintado e juba de leoa. Me desculpem essa descrição um tanto lugar comum, mas ela bate com a realidade porque ela, Marina, foi intitulada, à época, talvez sacada de gravadora para vender imagem, como a Marina Gata. De fato era, e ainda é, mas ela soube ser inteligente o suficiente para romper isso logo logo.

O interessante é que, nessa época, minha geração já ouvia, de longe, os hits dessa moça. Eram solares, juvenis e iluminavam bem aquele período em que o Brasil estava saindo da noite escura, que foi a era da ditadura militar, para uma fase de liberdade e democracia. Foi nessa época também que o rock nacional começou a produzir aquilo que se tornou as grandes bandas da época: Legião Urbana, Paralamas, Titãs, Ira, essa última a única a não se tornar uma banda de velhos senhores sisudos e caretas. A Legião soube acabar a tempo. Ainda bem.

Isso acabou criando um conceito, pelo menos para mim, de como um artista não se entrega à caretice geral nem faz concessões a nada. Paga-se um preço alto por isso, às vezes, mas pelo menos se garante a autenticidade. E são autenticidade e verdade pura que vejo e ouço nos discos que chamo de fase madura ou introspectiva que ela se lançou. Alguns diriam que triste, mas sinceramente não sei se é assim. O que sei é que tais discos mais uma vez dão o tom de minha geração, essa mesma que dançava nas festas adolescentes dos anos 80 querendo ser Robert Smith e que hoje está aí, tão introspectiva e talvez com alguma esperança como os discos de Marina nos faz ver.

Então vejamos.

Já em 91, no encarte de um disco que levava apenas seu nome, já com o sobrenome Lima, ela fazia um balanço de sua vida, aos 35 anos, e encerrava o texto, curto, dizendo que ter esta idade neste ano não era nada ruim. Neste disco já se notava uma sutil mudança em seu som e nas letras também, talvez já pela presença de um novo parceiro, Alvin L, que lhe deu a melancólica e definitiva Não sei dançar. Agora o recado está dado: mudanças estão por vir. E essas mudanças já se mostram no disco seguinte cujo titulo, O Chamado, já prenuncia uma Marina vivendo as perdas comuns a quem está vivo, como ela sinaliza no texto que acompanha o encarte, ao lado de citações de Saramago, Nietzsche e Joseph Campbell.

Neste disco, como em outros que viriam, as letras trazem temas como solidão, avaliação de relações e amores, é lógico, afinal quem não ama ou sofre por amor? Mas algo já se vê de diferente. Se em Virgem, há acertos de contas, em canções como Deixe Estar ou No Escuro, de, respectivamente, Pierrot do Brasil (de 98) e Setembros (de 01) os temas giram em torno de perdas e partidas.

Essas perdas já haviam produzido estragos mais físicos, pelo menos até onde se sabe, pois no disco de 96, Registros à meia voz, há faixas instrumentais talvez devido ao problema na voz que a acometeu e que parecia ser outra redefinição em sua carreira. Neste disco, com uma bela capa em azul, as melodias são sofisticadas com uma sonoridade que não lembra em nada a Marina Gata dos 80’s. E isso é ruim ou bom? Nada mais do que fugir desse maniqueísmo, pois ela, mais uma vez, se expressa inteira e, sem saber, espelha a mesma sensação de muitos brasileiros da época, pairando entre a desconfiança e alegria da era FHC e correndo atrás de como ser gente grande diante de tantas crises, econômicas, políticas e pessoais. Desta fase de perdas e acertos, destaco um disco que, na minha opinião, é um dos melhores da MPB. Seu nome? Pierrot do Brasil.
Produzido pelo iuguslavo Suba, que morreu tragicamente sem antes nos dar um disco de sua autoria, São Paulo Confessions, e a produção do belo Tanto Tempo de Bebel Gilberto, o Pierrot mostra uma sonoridade moderna sem ser afetada e uma sutileza nos sons eletrônicos que o fazem uma obra quase atemporal. Quem o ouve sabe do que falo.


Mas o que quero chamar a atenção aqui é dos temas deste disco. Mais uma vez a euforia do início da carreira e a visão solar do mundo dão lugar a uma jovem senhora, já pós-balzaquiana, que encara a vida com a idade da madureza e, nem alegre demais nem triste que nos entristeça, faz um saldo das relações humanas, especialmente as amorosas, como se fossem as de todas nós.

Isso faz de Pierrot ser especial, mas não só por isso, afinal quase todas as letras ou são ajustes sentimentais, como em Na Minha Mão, ou revisão de sentimentos, como na já citada Deixe Estar e Portos e Vinhos. Mais belo que isso só aquelas outras presentes em Setembro, disco mais arejado e feito em casa, com os bits e tóins do Pierrot, ou no último, Lá nos Primórdios, onde, numa faixa, Que ainda virão, na minha opinião uma das melhores dele, ela nos diz que “o sol brilha no azul / que aponta novos caminhos / quem sabe logo virão /me achar “.

Essa retomada, presente neste disco, é a mesma que muitos de meus partners de geração ainda hoje estão fazendo, ora alegres, ora menos sorridentes, mas certamente mais amadurecidos pelas perdas e conquistas que este tempo nos deu. A trilha sonora disso tudo? Bom, a minha é extensa, e acredito até que descontínua, mas sei que muito do que essa mulher cantou acompanha esse meu amadurecimento. Disso não tenho dúvidas. Ouçam Marina, quarentões, trintões e oitentões...e saberão do que falo.



sábado, 3 de maio de 2008

Heráclitos


Herácrito era uma figura e tanto, filho de nobres fundadores da cidade de Éfeso, tinha uma personalidade conhecidamente melancólica.

Publicamente desprezava os poetas, filósofos, religiosos e cientistas de sua época.

Deixou-nos duas lições que considero de grande importância, a primeira tem a ver com sua obra. Mesmo sem ter sido mestre, escreveu um livro sobre a Natureza, todo em prosa e no dialeto jônico, livro este, de extrema concisão, e graças a ele recebeu o nome de Skoteinós, que significa o Obscuro.

Heráclito era o filósofo do movimento, da mudança. Dizia ele que tudo flui, nada permanece o mesmo. E que não poderíamos nos banhar duas vezes no mesmo rio, por que ao entrarmos novamente nele, é certo que o rio não será mais o mesmo e nem nós o seremos.

A segunda lição tem a ver com sua vida, pois, era extremamente orgulhoso e ridicularizava os médicos, vivia fazendo charadas para os outros como forma de expor suas fragilidades intelectuais. Comportamento este pouco sociável, não é à toa que vivia isolado nas montanhas se alimentando de plantas e ervas.

Conta-se que no final de sua vida, adquiriu uma doença na pele e foi à cidade na tentativa de tratá-la com um médico. Mas, em todas as consultas que fez com todos os médicos que tentou, ele só dizia charadas e frases enigmáticas, a ponto de nenhum deles tê-lo entendido. Frustrado, enterrou-se num monte de estrume acreditando que assim seria curado. Morreu ali mesmo.

Seu corpo ficou em estado tão deplorável, que foi enterrado no mesmo local, nas mesmas condições que fora encontrado.

Por Antunes Weide Colunista Brasil Escola

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Hasta luego Montevideo

Hoje é a ultima vez, com o navio, em que venho a Montevideo.
Aqui descobri Carlos Gardel, Mercedes Sosa, Jorge Drexler, Bajo Fondo, Edu Lombardo, Malena Muyala, novas e antigas expressoes da musica da América Latina, dentre várias outras.
Se é verdade que cada nova descoberta que fazemos, que cada novo estímulo a que somos submetidos faz nascer uma nova conexao no cerebro, conto-lhes contente que meus neuronios (no mínimo) triplicaram suas conexoes. rs
Ainda estou maravilhado com a minha nova descoberta, a de que, muito mais que brasileiro, sou latino americano. Parece obvio, mas nunca tinha acordado pra riqueza da nossa América multicultural e da importancia de sabermos-nos parte disso.
Hoje me sinto muito mais completo e certamente a cada novo desbravamento encontrarei um pedacinho a mais de mim que anda esquecido em algum lugar do mundo.
Despeço-me com uma música que me fará lembrar muito desse período da minha vida, na voz da incrível Mercedes Sosa e depois numa versao instrumental ao piano com Ariel Ramirez.

ALFONSINA Y EL MAR CON MERCEDES SOSA
ALFONSINA Y EL MAR CON ARIEL RAMIREZ

"Alfonsina y el mar es una canción compuesta por los argentinos Ariel Ramírez y Félix Luna, en homenaje a la poetisa de la misma nacionalidad Alfonsina Storni, que se suicidó en 1938 internándose en el mar, en la playa de Mar del Plata. Es una canción muy popular en toda Hispanoamérica y España que ha sido interpretada por varios cantantes de renombre, entre los que se destaca Mercedes Sosa, aunque también otros como la chilena Violeta Parra, la griega Nana Mouskouri, La Peruana Tania Libertad la portuguesa Cristina Branco o las españolas Pasión Vega, acompaña del tenor José Carreras, y Paloma San Basilio han puesto su voz al texto de Alfonsina. Otros de los que también han interpretado este célebre tema son Miguel Bosé, María Jiménez, Shakira, Danny Rivera, Andrés Calamaro y el famoso tenor español Alfredo Kraus."
Wikipédia
-BAJO FONDO TANGO CLUB
-JORGE DREXLER
-MALENA MUYALA

Nao estou conseguindo postar videos do youtube aqui no blog...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Carnaval em Recife

COMO FOI O CARNAVAL EM RECIFE?
JA VI QUE A RUA DA AURORA ESTAVA LINDA!


Foto: Paulo de Mello

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Teatro de Resistëncia no Sertao Pernambucano

Muito enriquecedora essa matéria!
O TPA, grupo de teatro da cidade de petrolina é um exemplo de resistëncia e de amor às artes cenicas.
Graças ao TPA, muito cedo descobri o teatro de Ariano Suassuna, Gianfrancesco Guarnieri, Dias Gomes e fazendo a sonoplastia de alguns espetáculos descobri a musica de Mozart, Bethoven, Chico Buarque, dentre outros grandes compositores.
O engraçado é que entrei no teatro aos 12 anos, com o intuito de perder a timidez, como fazem a maioria das pessoas e saí de lá com a mesma timidez (tanto que logo troquei o palco pelos bastidores), mas muito mais apaixonado pela música.


TEATRO POPULAR DE ARTE

sábado, 5 de janeiro de 2008

Olá meus amigos,
como vão?
Estou postando algumas fotos que andei tirando nos lugares em que passo.
A rota do navio é Santos -SP, Montevideo e Punta del Leste no Uruguai e Itajaí-SC, toda semana estaremos nesses mesmos lugares até final de fevereiro e cada vez que descemos do navio vamos descobrindo coisas novas.
Tudo pra mim é novo, inclusive a máquina fotográfica, por isso to tirando foto até do vento. rsrs
Desejo a todos que no ano de 2008, Deus lhes dê o que necessitam, não exatamente o que vocês estão pedindo. (desculpa aê!!)
Inclusive peço o mesmo para mim!
Nem sei mais qual a função desse blog, tá ficando muito pessoal, né não?
Vamos falar de cultura!
Mandem algo novo pra mim, só eu que escrevo aquí, owshe!
rsrs
Osculos e Amplexos!!
A saudade mata a gente...
Montevideo


Itajaí - SC






Punta del Leste
















domingo, 25 de novembro de 2007

Boa tarde!
Ontem foi a final do festival Edésio Santos da Canção em Juazeiro-Ba e minha música tirou na terceira colocação, Fabiana Santiago que a interpretou, ganhou como melhor intérprete.
Tô muito feliz, ontem mal conseguí dormir de tanta euforia.
Quero agradecer o carinho dos meus amigos que torceram por mim, que me ligaram de madrugada, mandaram mensagens ou simplesmente foram ao festival para prestigiar o evento.
Apesar de não poder ter estado lá, tenho certeza da presença calorosa de várias pessoas que todo ano encontro, abraço, jogo conversa fora, falo de coisas sérias, abraço de novo, beijo... é como sempre costumo dizer, um evento que celebra a amizade, o carinho entre as pessoas e a boa música, com um pouquinho de cerveja, porquê ninguém é de ferro, né?
Esse ano tem sido muito especial pra mim e quero dividir tudo o que tem me acontecido de bom com as pessoas que eu amo e que me amam também.
Amanhã vou embarcar no Navio (Sky Wonder), onde tocarei por três meses, então já estou me antecipando pois talves seja um pouco difícil acessar a internet inicialmente, mas sempre voltarei por aqui pra dividir as próximas novidades.
Então, fiquem com Deus que seguirei com ele.
Bjos a todos e também me deixem a par das novidades!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Baião Pesado


A banda do meu amigo Marcelo Novais, a Matheus XV saiu na revista Guitar Player.
Suas composições são carregadas de influência nordestina, especialmente do baião e apesar de às vezes serem identificados como Mangue Beat, é preciso deixar claro que o Mangue Beat é um movimento do litoral pernambucano que foi criado por Chico Sciense e outros artistas como o DJ Dolores, mas que compreende mais a região da Zona da Mata, a banda Matheus XV não faz parte de um movimento, ela é seu próprio movimento e vem do sertão pernambucano.

A matéria tá nesse link:
http://guitarplayer.uol.com.br/lancamentos/lancamento.asp?id=1259

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Boa noite!

"Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelos braços"...nunca pensei que fosse sentir saudades dessa cidade, atualmente escondida por detrás das estatísticas de violência, da sujeira de suas ruas, da frieza dos seus moradores, da pobreza espalhada por todos os cantos, enfim da montanha de designações negativas que atualmente se sobrepõe à verdadeira essência da Veneza brasileira, a que fez a saudade me trazer pelos braços.
Recife é uma cidade extremamente cultural, tem lindos teatros, shows a céu aberto, como no Marco zero, por exemplo, tem praias deslumbrantes (as mais distantes), a cidade histórica esconde muitas belezas e histórias, tem a rua da Aurora, a rua da Saudade, rua do Sol...os ensaios dos maracatús, dos afoxés em Olinda, o mercado de São José, a terça negra no pátio de São Pedro, a ciranda de Lia em Itamaracá, a própria casa de Ariano Suassuna, que está geralmente aberta a visitas e se você tiver sorte pode até bater um papo com o escritor...vixe, é tanta coisa que é difícil enumerar.
Não sou a pessoa mais indicada para falar de Recife, mas já consigo ver a verdadeira cidade escondida por trás dos estigmas e digo que ela é muito mais do que o que eu descreví aqui, pois é muito uma questão de estado de espírito, de sentir a essência captada pro Chico Science, Capiba, Lenine, Manuel bandeira, dentre outros.
Além disso, a minha maior alegria é reencontrar minhas irmãs e outras pessoas queridas que tenho aqui.
Bom, mas mudando de assunto...
Amanhã às vinte horas vai ser a Semi-Final do Festival Edésio Santos em Juazeiro-Ba e a música com a qual estou concorrendo será apresentada.
Tenho um projeto de um CD todo criado em cima do cancioneiro popular brasileiro, onde vou resgatar músicas do folclore e fazer intervenções, recriações, continuações...enfim, será um trabalho de pesquisa, onde apresentarei as músicas originais e as adaptações, num passeio pela cultura popular de raiz, ainda muito forte em alguns longíncuos lugares do interior desse nosso Brasil.
Dentro dessa proposta tenho duas músicas que já apresentei ao público. "Fantasia de um Alecrim", que nada mais é do que uma adaptação da música "Alecrim Dourado" e a que está no festival, chamada "Você Gosta de Mim?". Nela uso a música "Você Gosta de Mim" como incidental e densenvolvo a sua história, a interrogação vocês irão entender quando ouvirem a música...enfim...isso tudo faz parte de um projeto.
Essa idéia não é original, já que muitas das músicas eruditas que conhecemos foram recriadas e adaptadas do folclore do país de cada compositor, um exemplo bem próximo é o de Heitor Villa-Lobos, que tem a sua obra baseada no cancioneiro popular brasileiro, como por exemplo a linda "Ciranda Cirandinha".
Mas não é apenas um caso de "fazer por que os outros fizeram", existe aí uma grande identificação com essa forma de diálogo com a genuína cultura brasileira, que dispõe de um riquíssimo acervo, não só musical.
É realmente uma paixão!
Aguardem mais sobre esse e outros projetos.

Osculos e Amplexos,
'brigado pela atenção de vocês!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Boas notícias!
Minha música "Você Gosta de Mim?" foi classificada para o Festival de Música Edésio Santos da canção em Juazeiro-BA e será interpretada por Fabiana Santiago, linda cantora de Petrolina. Quem esteve no Festival Geraldo Azevedo desse ano viu que ela foi premiada como a melhor intérprete e pôde constatar o talento dessa menina.
Pena que não vou estar no palco com ela, mas tenho certeza de que ela fará uma linda apresentação.
Tenho um carinho muito especial pelo festival de Juazeiro.
Aliás, em se falando de Edésio Santos, me vêm á cabeça os meus amigos queridos Iramar, Cixto Filho, Maísa, Vanderléia e o resto dessa turma de Juazeiro que me enchem de orgulho.
Muito do que Juazeiro tem de bom, passou pelas mãos ou pelas cabeças desses artistas disfarçados de pedagogos, professores, gente da melhor espécie que fez e continua fazendo muito pela cultura nas nossas cidades Petrolina e Juazeiro.
Eles são meio que a Liga da Justiça Cultural da terra do João Gilberto.
São pessoas que realmente fazem diferença.
Tinha mais coisas pra contar, mas como já havia dito, o tempo na Lan house é pouco, assim como o dinheiro.
Depois volto.
Desculpem-me pela qualidade das postagens, realmente não tenho a habilidade de escrever, muito menos de contar novidades, o fato de eu escrever o que estou escrevendo esses dias é só para deixar os amigos por dentro do que se passa comigo, já que estou distante de todos eles.

Osculos e Amplexos!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

http://www.pe-az.com.br/indios/indios.htm

Notícias de João Pessoa

Oi, tem alguém aí?
To em João Pessoa-Pb, ensaiando com Gean Ramos, artista e amigo querido de Jatobá, índio da tribo dos pankararus, uma figura que só vendo. Talentoso que só.
Essa tribo, apesar da forte miscigenação e da perca de alguns costumes, mantém-se viva através da valorização e manutenção de festejos e rituais, pelos mais velhos e também mais novos.
O mais incrível é que apesar de, na maioria das vezes, nem terem mais a aparencia indígena e de serem executivos, professores, músicos, caminhoneiros, de serem loiros, morenos, negros, enfim, de não fazerem jus aos esteriótipos criados em torno dessas figuras até mitológicas; os valores indígenas, de respeito ao ser humano, a todo ser vivo, da simplicidade, não material, mas no entendimento da vida e seus mecanismos de funcionamento, estão fortemente presentes em pelo menos todos o que até agora conhecí oriundos dessa tribo, que fica no interior de Pernambuco.
Ao longo dos anos os índios foram migrando pra outras regiões do sudeste, nordeste, e nessa história acabei me batendo com Gean e consequentemente com os seus familiares.
Bom, o que estamos ensaiando aqui já é uma outra questão.
Vamos embarcar em Novembro num cruzeiro, onde tocaremos por 3 meses em forma de quarteto. Piano, bateria (Denis), baixo (Patrick) e Voz e Violão (Gean.)
Estou a umas duas semana aqui em Jampa e na correria acabei não tendo tempo pra escrever no Blog, mas sempre que der volto aqui pra contar mais novidades. Pra completar, to acessando em lan house e o relógio não para de olhar pra mim marcando 1 real, 2 reais, 3 reais...eita, tenho que sair!
P.S.: Desculpe-me pelos erros gramaticais e tal e coisa e coisa e tal, na correria vou publicar sem revisão mesmo!
Xau!
Osculos e Amplexos!
Ei,
Saudade!!!!