segunda-feira, 30 de abril de 2007

TINCOÃS


É sabido por todos que a Bahia é o mais negro estado brasileiro.
Nossas raízes culturais se confundem de tal forma como nossos antepassados africanos que podemos inclusive dizer sem receio que praticamente inexiste uma tradição cultural branca na Bahia.
Em todos os segmentos que norteiam a cultura baiana, está a presença forte de nossos irmãos africanos. Basta para isso irmos da culinária, às vestimentas, danças, religiosidade e, é claro, na música.
Geograficamente um dos maiores redutos de negros na Bahia concentrou-se na região do recôncavo, tendo a cidade de Cachoeira, às margens do Rio Paraguaçu, como maior referência. Quem a conhece pode observar tradições centenárias como a procissão da Boa Morte, misturada a rituais católicos, bem como apreciar uma boa apresentação de samba de roda com os artistas locais.
A riqueza cultural dessa região trouxe muitos frutos para a cultura brasileira, como os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia, Raimundo Sodré, Roberto Mendes - todos de Santo Amaro da Purificação - e o trio vocal Os Tincoãs de Cachoeira, que conquistou o Brasil com a beleza e harmonia de suas vozes, bem como a excelência de seu repertório.
Formado inicialmente por Erivaldo, Heraldo e Dadinho, todos de Cachoeira, os Tincoãs - cujo nome é originário de uma ave que habita o cerrado brasileiro - iniciou sua carreira em 1960 no programa da TV Itapoã "Escada para o Sucesso", interpretando canções, em sua maioria boleros, inspirados no sucesso do Trio Irakitan. Chegaram inclusive a gravar um disco intitulado "Meu último bolero", sem alcançar o êxito esperado. Em 1963 Erivaldo desligou-se do grupo e a este foi incorporado outro componente, Mateus, que com os demais formaria a base principal do conjunto. Renovaram o repertório e partiram para adaptar os cantos de candomblé, sambas de roda e cantos sacros católicos. Mas foram os terreiros de Candomblé que deram a base principal da musicalidade dos Tincoãs.
Em 1973 gravam o segundo disco produzido por Adelzon Alves, e o primeiro como representantes legítimos da música afro-baiana, este LP é um marco importante da música brasileira, não apenas pela qualidade das músicas, como também pelo arranjo com características de coral feitos a partir de canções oriundas dos terreiros de candomblé, tendo como base apenas quatro instrumentos: violão, atabaque, agogô e cabaça. Este disco também revela o talento dos componentes como compositores, principalmente Mateus e Dadinho, que assinam a maioria das músicas. Um dos destaques do disco é "Deixa a gira girá", canção de origem folclórica, adaptada pelo trio com muito talento, e uma das mais executadas quando se apresentavam em público. Merece referencia também "Iansã Mãe Virgem", "Sabiá roxa", "Na beira do mar", "Saudação aos orixás" e "Capela da Ajuda", que fazem um belo painel da cultura negra do recôncavo baiano. Principalmente a última, que faz referência explícita a uma das poucas construções religiosas da Bahia de estilo católico, mas que cultua e abriga em seu interior rituais da tradição africana.
Com produção musical do maestro Lindolfo Gaya, o LP tornou-se recordista de vendas na ocasião de seu lançamento. Não pelo ineditismo de seu repertório, já que muitos outros discos com temática afro já haviam sido lançados no mercado. O seu diferencial esta na beleza plástica das canções e da perfeita harmonia vocal do grupo, o único no país que conseguiu fielmente traduzir o sentimento e a musicalidade de nossas tradições negras, numa demonstração de afirmação da identidade de uma cultura que nos engrandece e nos faz ver o quanto devemos aprender com ela. Mesmo porque já faz parte de nossa formação, e a ela devemos o privilégio de conviver com esta mestiçagem que tanto nos orgulha e é a responsável pela formação da identidade cultural brasileira.
Ouvir o disco dos Tincoãs é reafirmar a certeza de que não seríamos um país tão rico se não fosse a nossa ancestralidade africana, pois ela traduz o mais autentico sentimento de brasilidade que carregamos. Mas esse texto sobre o primeiro disco dos Tincoãs não poderia terminar sem falarmos também sobre a trajetória ocorrida logo após o seu lançamento. Em 1975 a primeira grande baixa no grupo ocorre com a morte de Heraldo, depois de gravar um compacto e uma faixa, "Banzo", no LP da trilha sonora da novela Escrava Isaura. A lacuna foi preenchida com a entrada de Morais, permanecendo por pouco tempo, mas participando do terceiro LP do grupo, "O Africanito", lançado em 1975. Logo depois, substituindo Morais, foi incorporado ao trio o vocalista Badu, mantendo dessa forma a tradição e a qualidade musical do grupo. No ano de 1977 gravaram um outro disco destacando-se a música "Cordeiro de Nana", de Mateus e Dadinho.
Em 1983 Os Tincoãs foram para Angola para temporada de uma semana em Luanda, e lá se estabeleceram, participando de projetos da Secretaria de Estado da Cultura de Angola, que entre suas prioridades visava identificar valores angolanos na cultura e na música brasileira, além de estabelecer ligações entre o culto angolano e o candomblé praticado no Brasil. Nessa ocasião gravaram o disco Afro Canto Coral Barroco, com a participação do coral dos Correios e Telégrafos do Rio de Janeiro, sob a regência do maestro Leonardo Bruno e produção de Adelzon Alves. Este disco permaneceu inédito, só sendo lançado em 2003, portanto vinte após a sua gravação. Em 1984 Badu desligou-se do grupo, porém Mateus e Dadinho permaneceram juntos e em 1985 gravaram um disco no Brasil pela gravadora CID, que foi lançado em Angola. No país que abraçaram trabalharam em Luanda, Huambo, Lubango, Benguela, Namibe e Bengo e puderam ver de perto as batalhas que redundaram na guerra pela independência. Com a morte de Dadinho em 2000 o grupo se desfez, mas deixou um legado dos mais primorosos para a música popular brasileira, como um dos principais representantes das raízes de nossa música de origem africana. Discos e músicas inesquecíveis.
Luiz Américo Lisboa Junior

Deu um tangolomango

domingo, 29 de abril de 2007

É, voltei sem premiação do festival, mas feliz demais!
Foi tão bom participar, conhecer Garanhuns, cidade linda e agradável, o festival foi maravilhoso, tirei até foto com Jair Rodrigues. Rapaz, o bicho é muito figura!
No mais, tô cheio de planos! :) Até compus uma nova música, coisa que não estava conseguindo a muito tempo. Um baião.


DEU UM TANGOLOMANGO NO RESTO DO TEXTO...

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Eita! Tá quase na hora! Friozinho na barriga...
O nível das músicas do festival está bom, maracatús, côcos, bumba meu boi e as mais variadas manifestações populares do Brasil, todas muito bem representadas aqui.
Um grupo vocal de Santa Maria -RS, cantou uma linda música a três vozes. Muito bom! Além do mais os caras são gente boa.
Outros são esquisitos, me parecem cheios de sí... o matuto aqui fica só observando e se divertindo com tudo. Carolzinha e menininho chegaram hoje. Ela não pára de fotografar as coisas. Tiramos muitas fotos divertidas, até com uma velhinha que eu conheci, de 101 anos. rsrs
Pois é, seremos os primeiros da noite. Daqui a pouquinho será nossa apresentação!
Vou-me indo!
'Té mais!

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Esse negócio de Blog vicia, né não?
Tô em garanhuns.
Fui ver alguns ensaios das músicas de hoje, tomei sorvete, andei pela cidade, à noite vou tomar uma cana daquelas...Ah, encontrei com uma figura de Petrolina, Adilson Medeiros, está com uma canção muito legal concorendo hoje. Ele é de Petrolina, muito conhecido na época do Canta Nordeste.
pois é, só passei pra dar um alô.
Ah! hoje é dia da hipertensão. Já tomei meu remedinho, pra deixar ela bem controlada.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Arthur Bispo do Rosário - Genialidade ou Loucura?



Louco para alguns, gênio para os outros.
Da sucata e do lixo, ele produzia uma série de trabalhos que apenas pretendiam marcar a passagem de Deus na terra.
Como é de costume, a sociedade faz pouco caso das pessoas que, por doença, opção ou um motivo qualquer, não se enquadram em determinados padrões considerados “normais”. Esse era o caso de Arthur Bispo do Rosário, hoje considerado um gênio das artes plásticas brasileiras, com trabalhos expostos em muitas salas fora do Brasil. Essa consagração se tornou concreta apenas no final de sua vida. Por muitos anos, ele esteve internado na Colônia Juliano Moreira, o maior e mais antigo manicômio do Rio de Janeiro, sob a acusação de ser um doente mental.
Ele veio de uma das muitas famílias pobres do Vale do Cotinguiba - SE e depois de passar pela marinha, foi trabalhar como empregado de uma influente família carioca, que continuou garantindo-lhe a casa e a comida em troca de serviços.
Tudo transcorria dessa forma até a véspera do Natal de 1938, quando Bispo presenciou a chegada de um luminoso cortejo de anjos e soldados celestes. Eles lhe traziam uma mensagem de Deus: “Reconstrua o universo e registre a minha passagem aqui na terra”. Sob “ordens divinas”, ele deixa a casa dos patrões e vai para uma igreja, onde se apresenta como o homem “que veio julgar os vivos e os mortos”. Ninguém acredita. O fato é que após esse episódio, o visionário começa sua peregrinação por clinicas e hospícios, até chegar à Juliano Moreira.
Os registros do manicômio afirmavam que o ex-marinheiro sofria de “esquizofrenia parenóide”. O diagnóstico frio o condenava a um polêmico tratamento muito usado na época: o eletrochoque. Mas ele conseguiu escapar da sentença e passou a impor respeito. O segredo estava no boxe, esporte que praticou desde a época da Marinha. Com a condição de “xerife”, ele fica livre para cumprir sua missão de registrar a passagem de Deus pela Terra.
Esses registros aparecem na forma de vários estandartes, murais, bordados e outras peças feitas a partir de panos velhos, da sucata e do lixo. Na verdade, todos eles registram uma variedade de cores, detalhes, escritos e temas. Excertos de sua vida, fotos e textos das revistas Manchete e O Cruzeiro, a fé interior, os seus tempos de marinheiro e – sobretudo – a história do Juízo Final. Era nesse momento em que Bispo do Rosário dizia ter que apresentar todas essas obras diante de Deus, ao “fazer a passagem” para o além. No longo retiro da colônia, a preparação para esse momento foi intensa.
Bispo costumava dizer que “um dia, simplesmente apareceu no mundo”, para não deixar indícios de sua infância e adolescência. Segundo o pesquisador, os trabalhos do sergipano contém justamente o contrário. “Entre os muitos detalhes impressos ali, estão elementos da religiosidade popular, da coroação dos Reis Negros, do Cacumbi, do Reisado, da Chegança e do artesanato, que está muito presente através dos trançados e das técnicas de bordado que ele usava principalmente escrevendo em alto-relevo”, explicou ele.
Arthur já percebia que seus estandartes e bordados chamavam a atenção das pessoas, mas não teve tempo de conferir sua consagração como artista. Na noite de 5 de julho de 1989, provável data em que completara 80 anos, ele encerrou seu longo retiro preparatório e foi se apresentar a Deus, objetivo que acalentara por toda sua vida. (Gabriel Damásio)

Leia esta incrível matéria na íntegra: http://www.rnufs.ufs.br/rede/radio/news0034.asp
Aprecie algumas de suas obras:

Coco Raízes de Arcoverde

Lindo!

Só fuçando...hoje tô meio indisposto...

Mas tô achando umas coisas legais no youtube.

Não paro de cantar essa música: http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?ref=Musica&busca=contrato+de+separa%E7%E3o&param1=homebusca&q=contrato+de+separa%E7%E3o&check=musica

Os Saltimbancos Trapalhões - História de uma Gata

Eita!!!
Nós gatos já nascemos pobres... :)

The Goonies

Cyndi Lauper - Good Enough (Os Goonies)

Bizarro!!!
É massa!!

domingo, 22 de abril de 2007


Essa semana vai ser muito legal...tô muito empolgado com o meu primeiro festival fora do eixo Petrolina-Juazeiro...!
Torçam por mim e no Sábado ou domingo eu conto as novidades!

http://www.festivaisdobrasil.com.br/femuarte/classificadas.htm

Ótima semana pra todos!

'Té mais!


Finalmente assistí ontem a noite o documentário SARAVAH do cineasta francês Pierre Barouh, com imagens antológicas de pixinguinha tocando com Baden, Maria Bethânia magricela, falando pelos cotovelos, no auge dos seus 21 aninhos, mas já com a voz peculiar que a consagrou, Paulinho da viola, dentre outras figuras, em momentos de descontração, mas de extrema importancia para a história da música brasileira. Na verdade, este documentário é muito mais do que talvez quisesse ser.

Fiquei impressionado com o Pierre. No filme, ele é a linha de ouro que costura a colcha de panos que se dispôs a fazer com a nossa música, nossa gente, através de grandes artistas brasileiros.

Baden Powell, é o enredo. Suas músicas, seu jeito inquieto-contido, seus olhos tristes...é estranhamente perturbador, mas no melhor sentido da palavra...ele faz a ligação entre as gerações, entre o clássico e o popular...poxa, tô ainda sob o efeito Baden.

TEMPO DE AMOR (BADEN POWELL E VINÍCIUS DE MORAIS)

Ah, bem melhor seria
Poder viver em paz
Sem ter que sofrer
Sem ter que chorar
Sem ter que querer
Sem ter que se dar

Mas tem que sofrer
Mas tem que chorar
Mas tem que querer
Pra poder amar

Ah, mundo enganador
Paz não quer mais dizer amor
Ah, não existe coisa mais triste que ter paz
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais

O tempo de amor
É tempo de dor
O tempo de paz
Não faz nem desfaz

Ah, que não seja meu
O mundo onde o amor morreu
Ah, não existe coisa mais triste que ter paz
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais



http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?busca=tempo+de+amor¶m1=homebusca&check=musica

Monica Salmaso at the Millenium Stage


Olha o que saiu sobre o meu show no site Bob Flash, na colunaTOP MUSIC de Alan Cléber:



Avante Zé !!!


Que momento esplêndido!
Ao sentar-me na poltrona do teatro comecei a imaginar como seria ... O que seria DORAVANTE? O que Zé Manoel e toda sua trupe musical aprontaria? Uma curiosidade normal de todo artista torcendo pra dar certo e com vontade de ver algo novo, ouvir música, de qualidade, sabendo que seria justamente isso que eu e os demais presentes na platéia receberiamos de presente naquela noite. De repente ao ouvir a voz tímida do apresentador, comecei a me transportar para o mundo que intuitivamente sabia que seria um mundo lúdico, apaixonante, lindo!!!

Ao ver o artista, compositor, tecladista, pianista ,cantor...sentar-se em seu banco e pôr as mãos áureas sobre as teclas, pronto! Êxtase! Gozo! Paixão! Emoção! Musica! E daí foi só ouvir e notar a simplicidade ,vontade e competência na face de cada músico que o acompanhava naquele SHOW.

Alem disso ainda ficamos enaltecidos ao ver e ouvir verdadeiras divas da nossa música inseridas sutilmente e emocionando a todos com suas participações mais do que especiais. As canções? Desconhecidas, mas tão lindas que pareciam fazer parte do nosso cotidiano... Pois é Zé... “poisZé”, é ó Zé!!!!!
Avante guerreiro da nossa música! Avante ! Avante! LEVANTE ESSA BANDEIRA SEMPRE!

http://www.bobflash.com.br/

Alan é um cantor muito popular aqui na região e eu toquei na sua banda por quase três anos. Fiquei muito lisonjeado com o que ele escreveu sobre o show.

Brigado Alan!! Xero!

sexta-feira, 20 de abril de 2007

CLÃ BRASIL - Amor a perder de vista

Forró pé-de-serra Paraibano, de João Pessoa.
As meninas além de serem muito simpáticas, tocam muito, mas muito bem!
São impressionantes e tem formação musical clássica e popular.
Estão também no DVD de Sivuca, que infelizmente faleceu antes de lança-lo.
http://www.clabrasil.com/




NANCY, França (AFP) - Uma gata (da foto acima) de três anos percorreu 800 km em treze meses entre Bordeaux (sudoeste) e La Meuse (nordeste) para reencontrar seus amos, contaram os donos do bichano nesta sexta-feira.
Desaparecida em março de 2006 no sudoeste da França, na véspera da mudança da família, a gatinha "Mimine" foi encontrada por seu dono na terça-feira em Tréveray, cerca de 13 meses depois e a 800 km do local onde vivia.
A gata, que não usava coleira de identificação, quase não traz mais vestígios de sua aventura, com exceção de alguns carrapatos e das patas cansadas.



ÔÔÔÔ... :)





quinta-feira, 19 de abril de 2007

Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Louis Moreau Gottschalk por Alvaro Siviero

ÍNDIO CARA PÁLIDA




Hoje também é nosso dia, somos brasileiros, descendentes de índios!
Não comemoremos essa data com tanta distância, nossa ligação com os índios é mais estreita do que a gente imagina.


O Guarani - Placido Domingo and Ainhoa Arteta

Um trecho da obra O Guarani, de Carlos Gomes, um dos mais importantes nomes da música erudita brasileira e mundial.
Apesar de compor basicamente em italiano, na linda ópera O Guarani, Carlos Gomes se utilizou da temática indígena, baseando-se no romance de José de Alencar, de mesmo nome.
O tema principal da Ópera, a sinfonia O Guarani é bastante conhecido no Brasil, assim como o pam pam pam pam da 5º sinfonia de Beethoven, que muitos cantarolam, mas não sabem de que música se trata.
Eu coloquei na discografia aí no lado da página, o cd da ópera e logo na primeira faixa, vocês poderão ouvir esse tema por inteiro!Vale a pena conferir!!

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Guia de sites para você pesquisar informações sobre os índios brasileiros

Coisas que não se deve dizer no dia do índio

Pequeno dicionário Tupi-Guarani
Uma pequena homenagem a Capiba, esse grande compositor pernambucano, que é uma inspiração pra mim!
Desde que ouvi a sua "Valsa verde" nunca mais parei de compor valsas!

Alguns frevos de Capiba: http://merciabcs.loginstyle.com/2007/02/09/100-anos-de-frevo/

Capiba - Orgulho pernambucano!


Filho de um maestro, nasceu em Pernambuco e mudou-se para a Paraíba na infância. Aprendeu música com o pai, assim como seus 12 irmãos. O apelido Capiba (que na gíria local designava "jumento") era extensivo a toda a família, e, segundo dizem, foi inaugurado pelo avô do compositor, que era baixinho e teimoso. Aos 16 anos atuava como pianista no cinema de Campina Grande, e nessa época chegou a pensar em seguir carreira como jogador de futebol. Aos 20 anos a família obrigou-o a abandonar a música e a bola para estudar. Foi para João Pessoa, mas continuou tocando e compondo, e em 1925, além de empregar-se mais uma vez como pianista de cinema, sua valsa "Meu Destino" foi editada. Em 1930 conseguiu um emprego no Banco do Brasil e foi para Recife. Lá entrou para a popular Jazz Band Acadêmica e compôs seu primeiro frevo, "É de Amargar", em 1934, vencendo um concurso de músicas de carnaval. O frevo foi gravado por Mário Reis no Rio de Janeiro, com enorme sucesso, e consagrou Capiba como expoente do gênero. Outros frevos de sucesso que se seguiram foram "Manda Essa Tristeza Embora" (1935) e "Quem Vai Pra Farol É o Bonde de Olinda" (1937). Ganhou diversos prêmios em concursos de música, tendo composições gravadas por intérpretes consagrados. Em 1943, Nelson Gonçalves lançou o samba-canção "Maria Bethânia", que rapidamente se tornou um sucesso nacional. Compôs para teatro, em peças de Ariano Suassuna, e com este integrou o Movimento Armorial na década de 70, escrevendo a "Grande Missa Armorial" e a peça "Terra sem Lei". No fim da década de 40 conheceu o maestro Guerra-Peixe, e com ele tomou aulas de harmonia e contraponto, chegando a compor peças sinfônicas e de câmara. Nos anos 60 compôs em parceria com Vinicius de Moraes (musicou o "Soneto da Felicidade") e com Carlos Pena Filho compôs a melodia que seria uma de suas mais famosas, o samba "A Mesma Rosa Amarela". Depois de se aposentar, resolveu participar dos festivais de música. No II Festival Internacional da Canção, em 1967, obteve o 5º lugar com "São os do Norte que Vêm" (com Ariano Suassuna), defendida por Claudionor Germano, o maior intérprete dos seus frevos. No ano seguinte, concorreu no mesmo festival com "A Cantiga de Jesuíno" (também com Suassuna) e "Por Causa de um Amor". Vários discos foram lançados e eventos foram promovidos em homenagem a Capiba e à sua música. Um livro ("Capiba, É Frevo, Meu Bem") foi lançado em 1986.

Capiba por Vanessa da Mata (Marco Zero, carnaval 2007)

DE CHAPÉU DE SOL ABERTO


De chapéu de sol aberto
Pelas ruas eu vou
A multidão me acompanha, eu vou
Eu vou e venho pra onde não sei
Só sei que carrego alegria
Pra dar e vender
(deixa o barco correr)
Espero um ano inteiro
Até ver chegar fevereiro
Pra ouvir o clarim clarinar
E a alegria chegar
Essa alegria que em mim
Parece que não terá fim
Mas, se um dia o frevo acabar
Juro que eu vou chorar.

(Essa é pra tú, Florzinha)

CAPIBA - Portfolio plano b)

muito legal!


Ensaiando o Show de carol...
Tá ficando Lindo! Carolzinha canta minhas músicas e músicas de Eugênio Cruz, arranjadas por nós, Albérico Júnior e Juninho.
Quinta de Sexta no teatro do Sesc!

domingo, 15 de abril de 2007

Antony and the Johnsons, Björk e perversões

Há vozes que a gente ouve e passam sem nos chamar a atenção; outras, no entanto, vêm, ás vezes de modo lento, e, como um sussurro, se instalam na nossa cabeça e ficam fixadas em algum ponto do cérebro o qual identifica um misto de emoções entre o espanto e o encantamento. São raras as vezes que isso acontece, mas quando surge é como se a vida fosse maior do que ela é, exatamente porque há no mundo coisas cuja criação se constrói do mistério de ainda ser diferente e espantar num mundo tão cheio de simulações e cópias.

Falo isso porque uma estranha figura surgida do underground de Nova York e de aparência andrógina causa um estranho encantamento em quem o escuta. Ao ouvi-lo é impossível não despertar um repúdio imediato ou o desejo de querer ouvi-lo mais. Conheço pessoas que pertencem ao primeiro grupo e que o classificaram de cantor de funerais; eu pertenço ao segundo grupo. O nome dele: Antony e sua banda se chama The Jhonsons.

Inglês de nascimento, Antony foi para Nova York nos anos 90 onde cursou teatro experimental, abandonando-o logo depois, e por lá montou uma banda performática, fazendo shows em casas noturnas de público, por assim dizer, mais alternativo. Foi aí que ele forjou seu estilo, cuja marca é a ambigüidade de gênero, e criou um mundo onde habitam travestis e transexuais ou seres em transformação. Aliado a isso tudo, veio uma música forte e melódica cujas bases são feitas com piano, cordas e instrumentos bem rock’n’roll, como guitarras e bateria. O resultado dessa mistura, aliada a sua voz, que alguns amigos meus já confundiram com Nina Simone, veio num reconhecimento cada vez maior de seu talento e sua saída dos espaços underground nova iorquinos para as platéias da Europa.

Diz a lenda que Lou Reed ao vê-lo cantar, chorou de emoção e o convidou para cantar sua bela Perfect Day ( do já clássico Transformer) e outras participações. Lenda ou não, o fato é que Antony está muito bem acompanhado, representando um grupo de artistas que, se não renovam a musica pop e o rock, nos dá algo mais do que o habitual, nos fazendo sair do lugar-comum dos hits radiofônicos. Não à toa que em seu disco de 2005, chamado I’m a bird now, ele tem as companhias luxuosas do já citado Lou Reed, do super hypado-fã-deCaetano-e-neo-hippie Devendra Banhart, de Rufus Wainwright e de uma de suas maiores referências, Boy George.

Além disso, ele ainda cantou em uma das faixas das crianças grandes do Cocorosie (que, inclusive, fizeram show no Recife) e, de quebra, está cantando com Björk no novo disco da cantora islandesa, chamado Volta, e que será lançado em maio no Brasil. Além disso, ele abriu, há alguns anos, o filme Vida Selvagem, cantando á capela, rodeado de travestis, uma música que fala sobre morte e renascimento. Bizarro? Não. Obscuro? Muito menos. Acho que só escutando-o (e neste caso, vendo-o) para saber.

Para os curiosos em ver esta figura e, lógico, que desejam ouvir sua voz, recomendo algumas canções que não estão no disco citado acima; São elas: Twilight e Rapture. Esta última só reforça a idéia de que às vezes a criação supera seu criador em beleza e harmonia. Ouçam e saberão o que falo. Ou então ouçam o I’m a bird now da primeira à última faixa, destacando Hope there’s someone, que já foi inesperadamente usada até pela Globo, ou Fistfull of Love com abertura feita por Lou Reed e letra cujo eu-lírico fala de uma relação amorosa onde os punhos são usados não necessariamente para bater. Perverso? Talvez, mas esse rapaz supera, e muito, os comentários chocados ao seu estilo. Não à toa, ele falou certa vez que o novo punk é a delicadeza. Ouçam-no e tirem suas conclusões.

P.S.

Aproveitando esse momento estranho ( rsrsrssrsrs ) dou uma dica de leitura de poemas, ou melhor, de poeta. Leiam Valdo Mota, poeta de Vitória do espírito Santo cuja poesia mistura Deus e coisas menos sagradas. Depois posto algum poema dele aqui.

Afonso Henrique

Geraldo Azevedo


Nasceu em Petrolina, PE, em 11 de janeiro de 1945. Essa origem nordestina talvez tenha sido a responsável pelo tempero tão variado de ritmos e balanços que este grande músico possui. Sua forma de tocar o violão mistura as harmonias sofisticadas com os ritmos quentes do nordeste, o destaca dentro do cenário nacional . Em seu trabalho é possível encontrar, lado a lado, líricas canções de amor como “ Dia Branco”,e números caribenhos cheios de swing como "Veneza Americana".
É autodidata, aos 12 anos de idade já tocava violão. Ao mudar-se para Recife onde foi estudar, Geraldo se juntou ao grupo folclórico intitulado Grupo Construção onde conheceu Teca Calazans, Naná Vasconcelos , Marcelo Melo e Toinho Alves (componentes do Quinteto Violado) iniciando aí toda a sua trajetória musical.
Em 1967, seguiu para o Rio de Janeiro e depois de trabalhar com Eliana Pittman, juntou-se a Naná Vasconcelos, Nelson Ângelo e Franklin formando o Quarteto Livre, grupo que acompanhou Geraldo Vandré em seus shows até que, devido a problemas políticos com o governo militar, o grupo se dissolveu.
Foi depois de sua apresentação, junto com o amigo Alceu Valença, no Festival Universitário da TV Tupi, que Geraldo Azevedo teve o convite de gravar seu primeiro disco pela Gravadora Copacabana. Nesse mesmo ano a Copacabana lançou o disco "Alceu Valença & Geraldo Azevedo" marcando a estréia de dois jovens cantores e compositores que se tornaram dois dos maiores nomes da nossa música brasileira.
Participou de alguns importantes projetos coletivos de discos como "Asas da América", "Cantoria" e "O Grande Encontro", além de fazer parte de várias coletâneas. Mesmo não estando na boca da mídia nem vendendo números astronômicos, Geraldo Azevedo já se firmou como uns dois maiores músicos nordestinos da atualidade.
Tatiana Rocha

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Estamos todos na mesma fogueira


Galdino Jesus dos Santos, 44, índio Pataxó estava orgulhoso. Afinal, um de seus companheiros de delegacao, participou da audiencia com o presidente da Republica, Fernando Henrique Cardoso. Provavelmente, aproveitariam os dias de folga na cidade para visitar o acampamento do movimento, trocar ideias e informacoes sobre suas experiencias na luta pela terra.
Em mais um triste "Dia do Indio", Galdino saiu `a noite com outros indigenas para uma confraternizacao na Funai. Ao voltar, perdeu-se nas ruas de Brasilia e chegando tarde `a pensao onde estava hospedado foi impedido de entrar no local. Cansado, sentou-se num banco de parada de onibus e adormeceu.
As 5 horas da manha, Galdino acordou ardendo numa grande labareda de fogo. Um grupo de cinco jovens de classe media alta, entre eles um menor de idade, da Capital Federal, parou o veiculo e enquanto um manteve-se ao volante, os outros quatro dirigiram-se até o local onde se encontrava a vitima. Logo apos jogar combustivel, atearam fogo no corpo. Foram flagrados por outros jovens corajosos, ocupantes de veiculos que passavam no local e prestaram socorro `a vitima. Os criminosos foram presos e conduzidos `a 1a. Delegacia de Policia do DF onde confessaram o ato monstruoso. Ai', a estupefacao: os jovens "queriam apenas se divertir" e "pensavam tratar-se de um mendigo, nao de um indio", o homem a quem incendiaram.
Levado ainda consciente para o Hospital Regional da Asa Norte - HRAN, Galdino, com 95% do corpo com queimaduras de 3. grau, faleceu `as 2 horas da madrugada de hoje.
Do site:http://abyayala.nativeweb.org/brazil/cimi/256port.html
(20 de Abril de 1997)

O dia do Índio está chegando... e o Brasil insiste em queimar a nossa esperança de viver dias melhores.


Assassino do índio Pataxó agora é funcionário federal! Bruno, o rapaz que matou o Índio Galdino queimado foi libertado, "passou" no concurso público e agora ganha R$ 6.600,00 por mês. "Nomeado com louvor", este foi o título da reportagem do Correio Brasiliense do dia 22/12/02, a respeito da seguinte situação: O filho do presidente do TJDF, Bruno (aquele marginalzinho que pôs fogo no índio pataxó), fez concurso público para o cargo de segurança (12 vagas disponíveis; salário de R$1.300,00; nível exigido 2º grau) e ficou em 65º lugar.
Após 12 dias no cargo, ele foi promovido a dentista do TJDF para ganhar R$ 6.600,00. O presidente do TJDF, o pai, juiz Edmundo Minervino, ainda teve a cara-de-pau de afirmar na entrevista: "Não houve ato ilegal nenhum".
Do site: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/05/254466.shtml
(12 de Abril de 2003)

Quem tem medo de cara feia?


As carrancas são utilizadas na frente das embarcaçõs no Rio São Francisco como forma de espantar os misteriosos seres que habitam o fundo das águas, como por exemplo, o temido nego d'água, que vira os pequenos barcos e pega as crianças desavisadas que brincam na beira do rio à noite, levando-as para as profundezas do rio.
Então, o papel das carrancas é justamente assustar os desavisados que passem por perto...
Mas, essa daí, coitada, parece que viu um fantasma!

Vamos todos Cirandar!



A sabedoria popular sempre nos ensinando a lidar com a vida e com o mundo ao nosso redor de forma simples e poética.
As brincadeiras de roda ainda são presentes em alguns lugares do interior, como forma de socialização entre os moradores e familiares, onde cantam músicas de melodias simples e divertidas e juntos, crianças e adultos, sem perceber, estreitam os laços de amizade e de respeito com o seu companheiro.
Na infância, a brincadeira de roda faz com que a criança tenha noção da importância de se conviver com as diferenças, já que não se escolhe a mão que será estendida para se segurar e de forma descontraída os pre-conceitos vão sendo jogados longe no rodar das mãos integradas.
A Ciranda, como também é chamada, talvez seja a solução do futuro para se combater a intolerância religiosa, racial, sexual, dentre outras que regem o nosso mundo interior e exterior.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Cartola - Alvorada - 1974

TANGOLOMANGO. 1. Na linguagem popular dar o tangalomango significa morrer, ir para a cidade de pés juntos, comer capim pela raiz; 2. Também é uma cantiga de roda que, no final de cada verso, uma menina deixa o brinquedo: - "Eram nove irmãs numa casa/ Uma foi fazer biscoito;/Deu o tangolomango nela,/Não ficaram senão oito!". E as meninas, uma de cada vez, vão saindo da brincadeira até que só fica uma: - "Era uma, meu bem, que ficou/Meteu-se a comer feijão;/Deu o tangolomango nela,/Acabou-se a geração!".
Algumas postagens desse Blog são constantemente vítimas de tangolomangos.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Mar adentro

Filme de Alejandro Amenábar

domingo, 8 de abril de 2007

O Blog tá ficando assim...sério demais, eu acho.
Não tenho pretensão de ser sério, nem de ser alegre, apenas vou publicando as coisas que me dão vontade.
Dizem que o cachorro geralmente tem a personalidade parecida com a do dono, é o caso do Blog. Se ele tá sério, é porque ando sério esses dias, pensando muito na vida e nas coisas ao meu redor... mas, nada que importe ao mundo, só aos meus botões.
Hoje, pra quebrar um pouco esse clima de discurção racial, de avião que não decola, de turismo sexual e blá blá blá, postei dois vídeos engraçadinhos, mas nada demais. Aliás, nem pra procurar vídeo engraçado no youtube eu tô com humor.
Não é que eu esteja mal-humorado, eu tô, digamos assim, sem graça, tipo picolé de chuchu.
Boa semana que se inicia!
'Té mais!

Tia Penha - Marcelo Médice

Deu um Tangolomango...

Balão Mágico e Baby Consuelo - Juntos

"Qual é o pai que ia ter coragem de deixar seu filho nas mãos de uma professora doida como essa!"
rsrs
Bereco saiu com essa um dia desses!

Porquê os heróis nunca são negros?


Lendas, contos da carochinha e mitologias ajudam as crianças a construir sua identidade. Num processo de transferência, os pequenos se colocam no lugar dos heróis e vivenciam as sensações dos personagens
Imagine o que significa ser despertado para o prazer da leitura sem ver sua raça representada de forma positiva nas páginas dos livros.


O Santo da Grande Luz - Lucazz

O SANTO DA GRANDE LUZ

Dizem que no meio d'um canavial
Brilhou uma forte luz
Que a gente do local
Achou que era "o povo das estrelas"
Dizem também que a confusão foi geral
Cachorro latia e corria
Crianças pra dentro dos quartos
Pobre da senhora que do coração padecia
Na sexta-feira da luz
O povoado se estremeceu
Meu tio conta que só quem viu
Foi quem tremeu e não fugiu
A grande luz
Levou a coragem dos homens do engenho
Que deixaram pra trás certo jovem ingênuo
Que girou o mundo num disco brilhante
Visitou quase todo planeta distante
E virou santo pro povo da terra.

sábado, 7 de abril de 2007

Central do Brasil - Carta

Petrolina, 07 de Abril de 2007

Olá, como vai?
Faz tanto tempo que a gente não escreve uma simples carta para os nossos amigos, amores, familiares, acho até que esquecemos o quão prazeiroso é receber aquele papel cheio de palavras escritas à mão, contando, confessando coisas que muitas vezes não teríamos coragem de falar pessoalmente.
O cheiro do perfume que passou da mão de quem escrevia, para o papel; os beijos distribuídos a granel por entre as letras, ora desenhadas, ora num emaranhado indecifrável; as boas notícias que se apresentaram em letras alegres...as tristes, manchadas pelas lágrimas que teimaram em cair...A carta leva um pouquinho da nossa alma, justamente o que o e-mail esconde.
O e-mail, a gente lê e descarta, muitas vezes até sem responder.
A carta, é viva, palpável, impossível ser indiferente a ela!
Então, escrevamos cartas a quem amamos, a quem, devemos desculpas ou simplesmente a quem queiramos escrever, o efeito disso será surpreendente e as respostas não tardarão em chegar, claro que no dia em que você menos esperar.
Escreva uma carta e ela se responsabilizará em multiplicar-se. Principalmente se for enviada com carinho.
Mando abraços aos seus familiares e espero que, apesar das distâncias, continuemos presentes na vida um do outro.
Saudades!
José

Escreve logo essa carta!

Filme Central do Brasil

Quando escreví, tive uma surpresa


Uma luta desesperada e inglória de um pai na tentativa de evitar sofrimentos a um filho. Assim são as cartas enviadas pelo historiador Joel Rufino a Nelson, então com 8 anos, durante o tempo em que esteve encarcerado como preso político no Presídio do Hipódromo, em São Paulo, entre 1973 e 1974.
Assim como o protagonista do filme "A vida é bela", Joel fez de tudo para esconder uma trágica verdade de seu filho. Mas seu objetivo não foi alcançado: sem ver o pai há muito tempo, Nelsinho entende que fora abandonado. Surge para Joel o maior dos desafios: explicar a uma criança que está preso, mas não é bandido.
Desde as primeiras cartas, ele dizia que tinha sido "convidado" pelo governo brasileiro a "contar" algumas coisas que tinha feito. "Por exemplo, eu dei algumas aulas sobre coisas que o nosso governo não gosta que se conte, escrevi livros que nosso governo também não gosta." Joel dizia que sua vida seria decidida por um juiz e apostava: "Ele vai dizer: seu Joel, não tem mal algum o senhor ter as suas opiniões. Pode ir embora." Mas, ao contrário, ele foi ficando...
Em seus relatos maquiados, Joel dizia que estava "hospedado" com mais 40 pessoas "que também não concordavam com o governo", entre engenheiros, estudantes, operários, professores, camponeses. Contava que faziam a comida, jogavam bola três vezes por semana ("eu estou com as canelas cheias de calombos porque todas as vezes que vou fazer um gol aparece um "grossoí para me chutar"), e que estavam aprendendo trabalhos manuais "bacanas" como fazer bolsa, colares, canetas, chinelos etc. De noite, viam TV ó até o dia em que o dono da televisão "se mudou" (foi solto) e ficaram sem poder assistir às novelas.
Numa tentativa de se fazer presente na rotina escolar do filho, ele treina Inglês nas cartas, conta histórias como a de Zumbi dos Palmares, fala de livros como O velho e o mar, além de sugerir títulos infantis que lia em jornais velhos do presídio.
Depois que Joel recebe uma caixinha de hidrocores coloridos do filho, passa a escrever as cartas usando cada cor para um trecho. E se exibe: "Meus amigos morrem de inveja, só eu tenho hidrocores coloridos!".
Todas as cartas tinham o carimbo do presídio e foram guardadas por Teresa Garbayo dos Santos, a mãe de Nelsinho. É dela o alerta enviado a Joel sobre a necessidade de se esclarecer os fatos para o filho, "que começava a viver o afastamento como abandono." Ao ser informado de tudo, Nelson entrou debaixo da cama e lá permaneceu abraçado à gaiola com seu passarinho: "assim ele expressou a sua dor ao saber que o pai estava preso", relembra Teresa. As cartas que Nelsinho escreveu para o pai ficaram retidas na prisão.
Do site: http://www.editoras.com/rocco/022281.htm


Vale a pena dar uma olhadinha nas cartas e postais enviadas por Anne Frank antes e durante a segunda guerra:
http://www.parceria.nl/cultura/cul060418_portugues




quarta-feira, 4 de abril de 2007

Alexandre Orion



Pobres cartazes por aí afora
Que inda anunciam: ALEGRIA — RISOS
Depois do Circo já ter ido embora!
(Mário Quintana)

Figura extremamente Figura!




PATATIVA DO ASSARÉ
Antônio Gonçalves da Silva nasceu no dia 5 de março em 1909, no Sítio de Serra Santana, em Assaré, sertão do Ceará. Ficou órfão aos oito anos de idade. Aos quatro já havia perdido sua vista direita devido a uma doença. Viveu como agricultor e poeta.

O apelido de Patativa do Assaré lhe foi dado por analogia com a mais canora ave da região do Cariri. Seus dotes poéticos revelaram-se precocemente e, ainda criança, Patativa do Assaré já fazia versos de gracejos para os camponeses e poema satíricos de forte conteúdo social. Aos 16 anos, comprou uma viola e iniciou-se na arte do ponteio e improvisação de versos. Seu canto forte e profundo está impregnado na terra sertaneja. Sua principal temática era a seca, a terra onde vivia, mas também fazia poesias bem-humoradas, contando histórias da vida sertaneja. Apesar de só ter estudado durante quatro meses na sua vida, era um grande poeta e possuía o título de doutor Honoris Causa em várias universidades. Questionado sobre se a poesia literária era superior à poesia popular, respondia: ... para provar que, mesmo sem o estudo, eu faço o que quero, por que Deus é quem quer, não sou eu. Aí eu faço verso também de forma erudita. (Rúbia Lóssio)

A justaposição deliberada de alguns elementos de uma sucinta biografia põe em perspectiva a denominação de “Mestre da poesia popular” conferida pelo ensaísta e cineasta Rosemberg Cariry, que largamente contribuiu para a divulgação de sua obra.
leia mais sobre Patativa nos sites:






Cantiga da diáspora


Com a gravação de "A Triste Partida" por Luiz Gonzaga, a obra de Patativa do Assaré ultrapassou o universo dos cordéis e cantorias para os discos, livros e estudos universitários. Foi na música que sua poesia ganhou o Brasil e o mundo.
Numa levada dolente de toada sertaneja em 152 versos, a cantiga desfia as mazelas de um sofrido nortista que se vê obrigado a deixar seu pedaço de chão tão querido, ressequido pela falta de água e de espírito humano dos governantes, e tentar a sobrevivência em terras alheias. Luiz Gonzaga ficou impressionado com a força daquela cantoria quando a ouviu A Triste Partida pela primeira vez de um cantador na feira de Campina Grande (PB).
Não se aquietou enquanto não conheceu o autor daqueles versos. Encontrou-o morando no Crato (CE). Pediu permissão para gravar sua toada. Em troca, queria a parceria. O poeta mandou o Rei do Baião plantar feijão pois suas obras não estavam à venda. Mesmo com a recusa, Luiz Gonzaga sabia que a música seria importante. A faixa virou título do LP lançado no final de 1964, e se tornou uma de suas preferidas e a única que sempre dava o crédito do autor nas apresentações.
A gravação de A Triste Partida levou a obra de Patativa do Assaré para além do universo dos livretinhos de cordel, das cantorias de feira e romaria, para os discos, livros e universidades. .
Texto de Luciano Almeida Filho
Arte de Mauro Andriole

segunda-feira, 2 de abril de 2007

É melhor viajar pra lua...


Marcos Pontes, o astronauta brasileiro

domingo, 1 de abril de 2007

BRAZIL agora é sinônimo de BRASIL


Terra de ninguém, sem lei.
A imagem que o Brasil constrói no exterior é exatamente essa, simplesmente porque é essa a nossa verdade.
Durante muitos anos, o governo brasileiro fez um trabalho de divulgação no exterior, do nosso potencial turístico afim de garimpar uma fatia dos turistas que viajam pela América latina e aos poucos fomos construindo a nossa imagem em cima de mulatas seminuas sambando em praias paradisíacas. Essa idéia genial resultou num aumento significativo de branquelos desembarcando em nossos aeroportos com os bolsos recheados de dólares prontos para desfrutarem de nossas mulatas, quero dizer, nosso país. (Aliás, não foi a toa que o turismo sexual tomou tanta força no Brasil)
Mas de uns tempos pra cá, não estamos mais conseguindo conter o vazamento dos nossos "podres" que goteja em rítmo frenético no exterior.
O paraíso de praias cinematográficas e mulatas requebrantes começou a dividir a atenção com alguns personagens indesejáveis, num enredo que está muito mais para um filme de terror do que para o filme erótico tropical de outrora.
Rio de Janeiro numa guerra que não tem fim, assaltos, tiroteiros, tráfego aéreo que mais parece a casa da mãe Joana, turistas assassinados por assaltantes, cidades praticamente inteiras reféns de comandos criminosos, meninos que são arrastados pendurados num carro, outros que morrem queimados junto à família dentro do carro ou que ficam paraplégicos depois de serem atingidas por balas perdidas...
O site do governo australiano publicou algumas verdades sobre o Brasil.
No dia da mentira, nada melhor do que contar a verdade, pra variar.


Salif Keita - 'Folon'

Ouvi essa música do Salif Keita pela primeira vez a alguns meses atrás e desde então não consigo parar de ouvi-la.
O que será que diz a letra?
deve ser algo muito triste...
triste, como a situação em que se encontram nossas vidas nesse país...

Só rezando pra Santo Dumont


O caos nos aeroportos brasileiros vai permanecer durante todo o final de semana, apesar do acordo fechado na madrugada de ontem que colocou fim à greve dos controladores de tráfego aéreo, que pararam o país na noite de sexta-feira.
O movimento ontem nos principais aeroportos do país foi muito intenso, com vários voos atrasados e cancelados e milhares de passageiros em filas de espera, resultado da paralisação dos controladores. Muitos passageiros passaram a noite nos aeroportos e, para evitar transtornos ainda maiores, as companhias aéreas estão a pedir aos seus clientes que adiem as viagens e remarquem seus bilhetes.
Valhei-nos Santo Dumont!