quinta-feira, 10 de maio de 2007

Beatriz (Chico Buarque/Edu Lobo) por Sofia Vitória

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz

Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que ela é louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu

Ao Mestre Sivuca!



Severino Dias de Oliveira, mais conhecido como Sivuca, (Itabaiana, 26 de maio de 1930 — João Pessoa, 14 de dezembro de 2006) foi um dos maiores músicos brasileiros do século XX, de grande repercussão internacional. Além de compositor, Sivuca era um notável acordeonista (sanfoneiro).

Sivuca contribuiu significativamente para o enriquecimento da música brasileira, sendo reconhecido em todo o mundo por seu trabalho. Suas composições e trabalhos incluem, dentre outros ritmos, choros, frevos, forrós, baião, música clássica, blues, jazz, entre muitos outros.
Sua iniciação musical se deu na infância, tocando em feiras e festas populares já aos nove anos de idade. Mudou-se para Recife aos quinze anos de idade, onde adotou seu nome artístico.
Seu primeiro LP, em 1950, em parceira com Humberto Teixeira, continha o seu primeiro grande sucesso, "Adeus, Maria Fulô" (que foi regravado numa versão psicodélica pelos Mutantes, nos anos 60).
A partir de 1955, foi morar no Rio de Janeiro. Após apresentações na Europa como acordeonista dum grupo chamado Os Brasileiros, chegou a morar em Lisboa e Paris.
Morou em Nova Iorque de 1964 a 1976, onde entre outros trabalhos, foi autor do arranjo do grande sucesso "Pata Pata", de Miriam Makeba, com quem então excursionou pelo mundo até o fim da década de 60.
Em 20 de novembro de 2006 o músico lançou um DVD, totalmente produzido na Paraíba, “Sivuca – O Poeta do Som”, em homenagem aos seus 75 anos de carreira, que contou com a participação de 160 músicos convidados. Foram gravadas 13 faixas além de duas reproduzidas em parceria com a Orquestra Sinfônica da Paraíba.
Falece em 14 dezembro de 2006, depois de dois dias internado para tratamento de um câncer, que já o acometia desde 2004. Sivuca deixa uma filha, Flavia, que atualmente está levantando o acervo do pai, e mais três netos, Lirah, Lívia e Pedro.
ADENDO
Tenho um carinho enorme pela Paraíba e sua riquíssima cultura, isso sem falar nos amigos queridos que tenho por lá.
Ano passado, trabalhei e morei por 3 meses em João Pessoa, sua linda capial.
Voltei maravilhado com a qualidade do seu povo, das suas manifestações culturais, com a beleza do estado, litoral, agreste e sertão...
Lembro-me de ter passado na frente do prédio onde Sivuca morava e ter a sensação de estar perto dele, de quase conhecê-lo pessoalmente. Na época ele já estava abatido pela sua doença, mas quando eu soube da sua morte, senti a tristeza de não ter tido a oportunidade de conhecê-lo realmente.
Tenho até hoje, como um dos momentos mais marcantes da minha vida, o dia em que Sivuca tocou com a Orquestra Sinfônica do Recife eu estava lá presenciando tudo, de ouvidos, coração, corpo e alma bem abertos. A emoção daquele dia, não sei explicar em palavras.
E agora, dividindo a história desse artista com vocês através do Blog, acabei descobrindo muito mais sobre ele e me emocionando novamente, pois Sivuca, pra mim é sinônimo de boas lembranças e de bons sentimentos e sua música me enche de orgulho e saudosismo.

Sivuca

Pino Donaggio - Come sinfonia