quarta-feira, 4 de abril de 2007

Alexandre Orion



Pobres cartazes por aí afora
Que inda anunciam: ALEGRIA — RISOS
Depois do Circo já ter ido embora!
(Mário Quintana)

Figura extremamente Figura!




PATATIVA DO ASSARÉ
Antônio Gonçalves da Silva nasceu no dia 5 de março em 1909, no Sítio de Serra Santana, em Assaré, sertão do Ceará. Ficou órfão aos oito anos de idade. Aos quatro já havia perdido sua vista direita devido a uma doença. Viveu como agricultor e poeta.

O apelido de Patativa do Assaré lhe foi dado por analogia com a mais canora ave da região do Cariri. Seus dotes poéticos revelaram-se precocemente e, ainda criança, Patativa do Assaré já fazia versos de gracejos para os camponeses e poema satíricos de forte conteúdo social. Aos 16 anos, comprou uma viola e iniciou-se na arte do ponteio e improvisação de versos. Seu canto forte e profundo está impregnado na terra sertaneja. Sua principal temática era a seca, a terra onde vivia, mas também fazia poesias bem-humoradas, contando histórias da vida sertaneja. Apesar de só ter estudado durante quatro meses na sua vida, era um grande poeta e possuía o título de doutor Honoris Causa em várias universidades. Questionado sobre se a poesia literária era superior à poesia popular, respondia: ... para provar que, mesmo sem o estudo, eu faço o que quero, por que Deus é quem quer, não sou eu. Aí eu faço verso também de forma erudita. (Rúbia Lóssio)

A justaposição deliberada de alguns elementos de uma sucinta biografia põe em perspectiva a denominação de “Mestre da poesia popular” conferida pelo ensaísta e cineasta Rosemberg Cariry, que largamente contribuiu para a divulgação de sua obra.
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Cantiga da diáspora


Com a gravação de "A Triste Partida" por Luiz Gonzaga, a obra de Patativa do Assaré ultrapassou o universo dos cordéis e cantorias para os discos, livros e estudos universitários. Foi na música que sua poesia ganhou o Brasil e o mundo.
Numa levada dolente de toada sertaneja em 152 versos, a cantiga desfia as mazelas de um sofrido nortista que se vê obrigado a deixar seu pedaço de chão tão querido, ressequido pela falta de água e de espírito humano dos governantes, e tentar a sobrevivência em terras alheias. Luiz Gonzaga ficou impressionado com a força daquela cantoria quando a ouviu A Triste Partida pela primeira vez de um cantador na feira de Campina Grande (PB).
Não se aquietou enquanto não conheceu o autor daqueles versos. Encontrou-o morando no Crato (CE). Pediu permissão para gravar sua toada. Em troca, queria a parceria. O poeta mandou o Rei do Baião plantar feijão pois suas obras não estavam à venda. Mesmo com a recusa, Luiz Gonzaga sabia que a música seria importante. A faixa virou título do LP lançado no final de 1964, e se tornou uma de suas preferidas e a única que sempre dava o crédito do autor nas apresentações.
A gravação de A Triste Partida levou a obra de Patativa do Assaré para além do universo dos livretinhos de cordel, das cantorias de feira e romaria, para os discos, livros e universidades. .
Texto de Luciano Almeida Filho
Arte de Mauro Andriole