quarta-feira, 4 de abril de 2007

Cantiga da diáspora


Com a gravação de "A Triste Partida" por Luiz Gonzaga, a obra de Patativa do Assaré ultrapassou o universo dos cordéis e cantorias para os discos, livros e estudos universitários. Foi na música que sua poesia ganhou o Brasil e o mundo.
Numa levada dolente de toada sertaneja em 152 versos, a cantiga desfia as mazelas de um sofrido nortista que se vê obrigado a deixar seu pedaço de chão tão querido, ressequido pela falta de água e de espírito humano dos governantes, e tentar a sobrevivência em terras alheias. Luiz Gonzaga ficou impressionado com a força daquela cantoria quando a ouviu A Triste Partida pela primeira vez de um cantador na feira de Campina Grande (PB).
Não se aquietou enquanto não conheceu o autor daqueles versos. Encontrou-o morando no Crato (CE). Pediu permissão para gravar sua toada. Em troca, queria a parceria. O poeta mandou o Rei do Baião plantar feijão pois suas obras não estavam à venda. Mesmo com a recusa, Luiz Gonzaga sabia que a música seria importante. A faixa virou título do LP lançado no final de 1964, e se tornou uma de suas preferidas e a única que sempre dava o crédito do autor nas apresentações.
A gravação de A Triste Partida levou a obra de Patativa do Assaré para além do universo dos livretinhos de cordel, das cantorias de feira e romaria, para os discos, livros e universidades. .
Texto de Luciano Almeida Filho
Arte de Mauro Andriole

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