
Zaragoza (Espanha), 24 mai (EFE).- O teólogo Leonardo Boff considerou nesta quarta-feira que as declarações do Papa Bento XVI sobre a evangelização na América Latina são "um insulto aos indígenas" e demonstram um claro desconhecimento do Pontífice em relação à história da região.
Em entrevista à Efe em Zaragoza (norte da Espanha), Boff, um dos principais defensores da Teologia da Libertação, não poupou críticas às afirmações do Papa de que o cristianismo conquistou a América Latina "dialogando" com as culturas pré-colombianas.
O pronunciamento de Bento XVI ocorreu logo após o Pontífice ter sido criticado por alguns dirigentes políticos da América Latina ao afirmar durante sua viagem ao Brasil, no início deste mês, que a Evangelização da América "não levou a uma alienação das culturas pré-colombianas nem foi uma imposição de uma cultura estranha".
"Dizer que houve diálogo é desconhecer a história; é ser ignorante", disse Boff, que acrescentou que os ibéricos "destruíam tudo", "matavam as pessoas" e tratavam os indígenas como se fossem "hereges" ou "inimigos da fé".
No Brasil, o número de indígenas diminuiu de seis milhões para os atuais 600 mil, disse Boff, ressaltando que a colonização e a evangelização naquela ocasião "foram um projeto único em que se matava com a cruz e com a espada".
Neste sentido, o ex-frei franciscano afirmou que quando Bento XVI diz que a primeira evangelização não foi imposta, mas foi obra da "realização de um desejo secreto das religiões indígenas", suas palavras são entendidas como "um insulto aos indígenas" e um "desestímulo a todas as igrejas e associações, que são muitas e que ajudam a recompor os povos indígenas ameaçados". (...)
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Não vou nem comentar...!
Um comentário:
tem alguma coisa nesse olhar que me faz questionar... hehehehe
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