terça-feira, 22 de maio de 2007




Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele ouve o sapateiro bater sola.

Ouve também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola. . .

Mas nesta rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.

Ele trabalha silenciosamente. . .
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente...




Mário Quintana

Ilustração: Marcelo Tomé

Um comentário:

Anônimo disse...

"Ele trabalha silenciosamente. . .
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente..."
Sempre... em algum lugar, existe alguem, silenciosamente, trabalhando para fazer a vida de alguem melhor.
São almas iluminadas e encantadas que passeiam, anônimas, pelo nosso Planeta!
(A poesia é linda. Obrigado ZE MANOEL!)